Fazenda Santa Mariana

História

A história remonta aos primeiros anos da segunda metade do século XIX, época em que considerável número de latifundiários principiou movimento de divisão de bens. Em consequência, originaram-se situações agrícolas e agremiações, as quais se transformaram em viletas, favorecendo o surgimento de pequenos distritos, mais tarde, municípios. Concomitantemente, os coronéis-fazendeiros investiram no próspero plantio de cafeeiros, tão em voga, e conquistaram distinções honoríficas, destacando-se na sociedade e na economia brasileira, diante das fortunas que acumularam.

Em meados de 1860, baseando-se nas pesquisas do professor ferreirense Flávio da Silva Oliveira, Joaquim Procópio de Araújo comprou uma gleba de terra, cerca de 1580 alqueires, do Barão de Souza Queiroz, Francisco Antonio de Souza Queiroz, situada na jovem cidade de Pirassununga. A partir da aquisição, o empreendedor mineiro e sua família fixaram residência na região, provavelmente, na terra da Cachoeira de Emas, a fim de continuar com os negócios agricultáveis, com notoriedade já consolidados em Minas Gerais.

Ao adquirir extensa área de terra, Joaquim a batizou de Fazenda Santa Mariana, homenageando, pois, sua esposa, Mariana Balbina de Meirelles, a Dona Balbina.

Com o propósito de garantir pleno domínio de sua propriedade, o capitão mineiro proibiu o frequente tráfego de tropeiros em suas terras, agitação esta oriunda de uma balsa, cujo responsável se tornou, anos mais tarde, o patrono de uma vila denominada Porto de João Ferreira. De acordo com o aludido educador, “as tropas que integravam o sistema de transporte entre o Litoral Paulista e Uberaba (no atual Triângulo Mineiro), cidade que servia de centro recebedor e distribuidor de mercadorias, atendendo várias regiões circunvizinhas, não mais podiam alcançar a balsa que lhes permitia a travessia do rio. Por esta razão, o balseiro João Inácio Ferreira, não teve alternativa senão mudar-se de mala e cuia para outro local, Moji abaixo, a fim de poder dar continuidade à sua faina diária. (...)”. Por meio de uma atitude titular, de maneira incidental, Joaquim Procópio propiciou o surgimento de Porto Ferreira. No entanto, o assunto é inerente a outro artigo.

Nesse contexto, inicia o cultivo agrícola da fazenda, a qual possui solo, na época, em grande parte, considerado impróprio para a lavoura. A prole se afeiçoa ao trabalho e divide com o pai os diversos atributos administrativos.

Embora sejam escassas as informações, restringindo-se em sua totalidade aos ditados orais, a Fazenda Santa Mariana se estrutura diante de uma crescente colonização de escravos e de imigrantes europeus.

Paulatinamente, a propriedade se destaca entre as demais, ante a intensa produção de cafeeiros, tornando-se, em meados do século XX, a maior produtora de grãos de café de Porto Ferreira.

Em fins da década de 1880, Joaquim Procópio falece e sua fazenda é herdada pelos seus filhos Cornélio e Procopinho. Na localidade, ocorre a divisão das terras, causando o surgimento da Fazenda Capão Bonito, com aproximados 609 alqueires, e preservando a Santa Mariana, mas com 974 al. Todavia, o documento que assegura a posse de cada bem só foi registrado em 1901, no Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de Pirassununga.

Poucos anos depois, em 1904, o então vigário da paróquia ferreirense, padre Moysés Nora, organiza o esplêndido “Relatório da Freguezia de Porto Ferreira”, e aponta a existência das propriedades rurais e urbanas do município, incluindo as produções cafeeiras. Com fundamento na pesquisa documentada, considera-se a presença de cerca de 2500 colonos na Fazenda Santa Mariana, com a quantia expressiva de 338 mil pés; já na Capão Bonito, 1500 lavradores para labutar nos 248 mil pés - naquela época, a classificação de pés de café era referente à contagem das covas e não dos arbustos, os quais totalizam 4 por cada cavidade na terra.

Entre os trabalhadores e os moradores da crescente urbe, a propriedade recebe o adjetivo de “Rainha do Café” e o prestígio do coronel Procópio de Araújo Carvalho se consolida pela região, ocasionando sua candidatura na esfera política.

Com o passar do tempo, novas culturas surgem no local: algodão, arroz, milho, feijão, e, paralelamente, a constante criação de animais, com aproximadas 500 cabeças de gado vacum.

A infra-estrutura da fazenda também é praticamente auto-sustentável: 9 colônias, com cerca de uma centena de casas; 3 tulhas, com maquinários para beneficiamento do café; expurgo; terreiro com 18 mil m²; oficina de carpintaria; oficina de ferraria; queijaria; monjolo; moinho; olaria; escola; igreja; etc.

Em 1932, falece João Procópio Sobrinho, filho de Cornélio, que deixa hipotecada a Fazenda Capão Bonito. Seu tio, coronel Procopinho, assume a dívida, mas também falece em dezembro do mesmo ano. Como legítima herdeira, Olympia de Meirelles Carvalho recebe auxílio das sobrinhas Anita e Urbaninha, além do esposo desta, Dr. Décio Vieira Palma.

Contudo, quatro anos depois, ocorre averbamento através do falecimento de dona Olympia: por meio de seu espólio, a hipoteca da Fazenda Capão Bonito é quitada pelo valor de Rs. 248:274$200, em 1941, passando a pertencer ao sobrinho Dr. Alcides Ribeiro Meirelles. Por outro lado, a Fazenda Santa Mariana é herdada pelo casal Dr. Décio e Urbaninha, além da freira Anita.

O distinto casal preserva a propriedade, mantendo as originais estruturas, e investe na própria sustentabilidade, apostando na criação do gado de corte e no comércio de leite. Nesse período se intensificam as diversas agriculturas de meeiros.

Sinônimo de natureza, com rica fauna intimidada pela desenfreada ameaça de caçadores, a fazenda possui 8 matas distribuídas em 616 alqueires. Entretanto, o controle dos invasores é vulnerável, diante da inexistência de cercas limitativas. A situação incomoda Dr. Décio, o qual pretende desmembrar uma área de terra denominada “Mata do Mogy” ou “Mata do Poção”. Para que isso aconteça, duas alternativas são propostas: a venda da gleba a uma usina interessada no plantio de cana-de-açúcar, ou a aquisição do Estado para manter a reserva florestal intacta da área. Sensibilizado, a 2 de novembro de 1962, o nobre médico resolve garantir 611,5 hectares de mata virgem, negociando com o Estado de São Paulo. Nasce assim, o atual Parque Estadual de Porto Ferreira, conhecido, entre os cidadãos, pelo nome de “Mata do Procópio”.

Pouco tempo depois, novo quinhão de terra é desmembrado e vendido ao sr. Joaquim Coelho Filho.

Ao diagnosticar a fragilidade de sua saúde, nos primeiros anos da década de 1970, Dr. Décio resolve vender a Fazenda Santa Mariana ao sr. Gilberto Meirelles.

Mudanças da infra-estrutura da casa-grande, das colônias, do terreiro, e de outras dependências, começam a registrar as características do novo proprietário. Dentre as modernas construções, sobressai a transformação de cerca de 7 mil m² de terreiro no elegante Bosque da propriedade.

Em referência à produção da fazenda, permanece o trabalho de meeiros; a extração de látex das seringueiras; a criação do gado holandês para o comércio de leite; e criação de cavalos da raça Mangalarga.

De certo modo, a evidente diminuição de colonos, comum nas últimas décadas do século XX, na era tecnológica, tornou-se habitual paralela às divisões de terras que originaram inúmeros sítios e fazendas circunvizinhas: Fazendas Eldorado, São Carlos, Santo Expedito e São Joaquim.

Em 2004, o empresário Luiz Carlos Silveira Schreiner adquire a propriedade e transfere as atividades de seu Haras Nova Tradição, produzindo considerável número de equinos valorizados, em nível nacional, ante a qualidade da raça Mangalarga Marchador.

Das selvas ao café e aos animais. Dos grãos etíopes aos cereais e à criação de gados. E então, a Fazenda Santa Mariana restaura seu potencial histórico através do distinto e renomado trabalho do Haras Nova Tradição.

Ademais, o batismo de Joaquim Procópio de Araújo, em homenagem à sua esposa, influenciou o nome de uma cidade, transcendente das fronteiras do Estado de São Paulo: Dr. Francisco da Cunha Junqueira, um dos genros do coronel Cornélio Procópio de Araújo Carvalho, fomentou os primeiros passos de uma agremiação, constituída em sua fazenda “Laranjinha”, localizada no estado do Paraná, a qual recebeu o nome de Santa Mariana, sendo hoje, um município com mais de 60 anos.

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